Novo levantamento de índices de infestação pelo Aedes aegypti será realizado por 169 prefeituras e ajudará no planejamento de ações de combate ao mosquito transmissor da doença
Quarenta e nove dos 169 municípios brasileiros escolhidos entre os prioritários para o controle da dengue já coletaram dados do Levantamento Rápido de Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), uma das principais ações de prevenção e combate à doença, previstas pelo Ministério da Saúde. A quantidade de cidades que cumpriram essa primeira etapa corresponde a cerca 30% da amostra nacional. Nestes municípios, a próxima etapa será a analise laboratorial do material coletado e elaboração de relatório.
O LIRAa é realizado anualmente pelas prefeituras, de acordo com cronograma local, no período de outubro a novembro. O objetivo é identificar com antecedência as áreas de maior risco de formação de criadouros do mosquito transmissor nos municípios, o que permite planejar e intensificar as ações de combate ao vetor da doença, assim como as atividades de mobilização, comunicação e de educação.
Do total de municípios que deve fazer o levantamento ainda este ano, 101 (59%) estão na fase de apuração de informações, ou seja, com agentes de vigilância em saúde em visita a áreas particulares e públicas para coletar amostras que serão posteriormente analisadas para medir o índice de infestação dos locais visitados. Outros 19 (11%) farão o estudo na primeira semana de novembro. O resultado geral do levantamento, com as informações de todos os 169 municípios, será divulgado no dia 19 de novembro, em Brasília.
“É essencial que os municípios usem as informações do LIRAa para focar ações contra a dengue nos locais em que forem identificados como os de maior risco”, alerta o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. “Todo esforço deve ser feito para evitar casos e, principalmente, óbitos no próximo ano”, completou.
Entre as cidades que participam do levantamento estão as capitais e municípios prioritários para o controle da dengue, como os de regiões metropolitanas e áreas turísticas. A maioria deles tem mais de 100 mil habitantes. Todas as prefeituras que integram o LIRAa fazem parte de uma lista de 633 municípios considerados prioritários pelo Ministério da Saúde para o controle da dengue.
METODOLOGIA – Implantada em 2004, a metodologia desse levantamento é aplicada em regiões homogêneas de cidades com maior risco para a dengue. Em média, serão trabalhadas áreas de 9 mil a 12 mil imóveis a partir de um sistema de amostragem. Nesta ação, o agente tem a missão de identificar larvas e encaminhá-las para análise de laboratório, o que vai revelar se as amostras são do mosquito da dengue. Isso indicará quais áreas estão mais infestadas.
Durante o trabalho, os agentes vão trabalhar casas e lotes baldios. Além de identificar onde há mais larvas do mosquito, o LIRAa aponta quais são principais criadouros – vasos, calhas, pneus, jarros, caixas d’água, garrafas pet, etc. Dessa forma, o levantamento traz uma espécie de radiografia da infestação pelo mosquito nos municípios, o que permite às prefeituras centrar forças contra a dengue em áreas com maior risco da ocorrência de casos.
O período pactuado com estados e municípios para a realização do LIRAa foi entre o início de outubro e a primeira quinzena de novembro deste ano. Nesse período, os municípios organizam e cumprem sua programação local, de acordo com suas estruturas e equipes. Fatores climáticos também são levados em consideração e, em alguns casos, contribuíram para o início antecipado dos trabalhos.
CAMPANHA – Há uma semana, o ministro Temporão lançou a campanha nacional “Brasil unido contra a dengue”. A campanha será dividida em três momentos de alerta: remoção dos potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti; mobilização e combate aos focos do mosquito transmissor, nos meses de maior risco da doença; e o que a população deve fazer quando surgirem os sintomas.
Ainda no mês de outubro, o Ministério da Saúde anunciou a liberação de R$ 128 milhões a mais para o Teto Financeiro de Vigilância em Saúde (TFVS) de estados e municípios. Em toda a estratégia de combate à dengue, o Ministério da Saúde investirá, neste ano, R$ 1,08 bilhão, um aumento de 23%, em relação a 2007. Esse é o maior volume de recursos já investidos pelo Ministério da Saúde com essa finalidade. Os recursos adicionais são destinados aos municípios prioritários dentro da estratégia nacional de combate à doença, como áreas de fronteira, turísticas, regiões metropolitanas e com mais de 50 mil habitantes.
MAIS AÇOES – O Ministério da Saúde está desenvolvendo uma série de ações para o combate à epidemia neste ano. Confira alguns destaques:
» Acordo com as Forças Armadas para atuar como agentes de combate ao mosquito e de forma complementar no atendimento aos pacientes nas áreas de risco;
» Ações com Ministério da Educação para levar informação e mobilização a estudantes e professores, como o filmete “Vila Saúde”, para alunos da educação básica;
» Portaria interministerial que envolve outros 9 órgãos do governo federal, no desenvolvimento de ações contra a dengue em suas áreas de atuação. São eles: os ministérios das Cidades, da Defesa, da Educação, Integração Nacional, Justiça, Meio Ambiente e Turismo, Casa Civil e Secretaria de Comunicação Social.
» Parcerias com mais de 24 empresas e organizações civis para medidas de prevenção, educação e combate à dengue;
» O Ministério da Saúde tem atuado em parceria com os estados na finalização de 13 planos de ação para enfrentamento da dengue, em regiões estratégicas;
» O Ministério da Saúde testará, em municípios selecionados, três novas estratégias de prevenção e controle da dengue, com testes de sorotipos mais rápidos, captura de mosquitos por armadilha e uso da internet no alerta da população sobre focos do mosquito;
» Sensibilização de 42.806 líderes comunitários por telefone e porta em porta;
» Envio de material informativo a 4.121 emissoras comunitárias, carros de som, etc;
» Portaria publicada neste mês que recomenda às secretarias estaduais e municipais que orientar fiscalizar e punir estabelecimentos comerciais e industriais que não atentarem para a formação de criadouros.
Fonte : Ministério da Saúde 28/10/2008 09:54:00